“O quarto de Jack”

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Assisti ao filme que deu o Oscar de melhor atriz à Brie Larson, o “Quarto de Jack”. O filme me levou a refletir sobre muitas coisas, difícil descreve-las tão fidedignas aos vôos e mergulhos que fiz na fria sala do cinema, que para mim algumas  vezes ficou quase tão minúscula quanto o “quarto”, cenário do drama vivido pela jovem Joy, que sequestrada sofreu várias formas de violência durante 7 anos anos. Contudo, como para todo mal há cura, sua dor deu lugar à esperança e à coragem quando se tornou Mãe de Jack (se assim não fosse por certo teria enlouquecido, sucumbido). Com a sua chegada, Jack (personagem  de Jacob Tremblay) a salvou pela 1ª vez.

Se empenhou na tarefa de ensinar seu filho a sentir o mundo exterior a partir de suas boas lembranças. Tudo era aprendizado, construção, percepção e solidariedade entre os dois. Ela o ensinou sobre tudo o que sabia, inclusive a ler e o estimulou a imaginar a vida sem paredes e portas fechadas. Criou-se naquele cubículo, um mundo dentro de um outro até então totalmente desconhecido para Jack. Juntos criaram regras e limites que atribuíram valores à educação de Jack, mesmo longe do convívio social, mesmo sendo seu pai genético um estranho opressor desprezível. Jack aliou-se ao amor, pois o recebia em doses fartas. Sua Mãe preenchia os espaços que ele mesmo ignorava que pudessem existir. Jack, com 5 anos de idade, por amar tanto aprendeu o que teria que fazer, arriscou-se, e mesmo paralisado de medo fugiu, pediu socorro e salvou a si e a Mãe. Contando, ele a salvou pela 2ª vez.

Estranhamente ao serem libertos do cativeiro não conseguiram libertarem-se da dor, era necessário respirar, ganhar anticorpos, protegerem-se. Sobretudo era preciso VIVER/ REVIVER, mas o medo continuava ali em toda a parte. E como lidar como o medo de ser livre? Ser livre é passar a decidir-se (decidir sobre si), e isto pode parecer ameaçador!  – E se não der certo? e se eu sofrer? e se não for bem assim? e o que vão pensar? e se eu não for aceita? qual é o preço de arriscar?  Enfim…são muitos “barulhos”. As vezes parece que a melhor solução é permanecer no “cativeiro” real ou inventado da acomodação, do altruísmo ou “do seja lá o que for”!  A personagem Joy, mãe do menino Jack não “segurou essa barra”, acreditou estar tomando a “solução” em cápsulas letais e por um triz não deixou Jack sozinho, ele a viu convulsionando e gritou por socorro. Ele a salvou pela 3ª vez.

Jack jamais havia cortado seus cabelos, acreditava que sua força estaria neles, assim pediu para que sua avó o cortasse e o levasse para a sua Mãe no hospital porque, segundo ele,   naquele momento era ela quem estava precisando da força dele. Não há depressão que resista a uma “injeção de ânimo” como esta, há??? Foi aí que Jack, com a sua força, a salvou pela 4ª vez.

Após a alta médica, Jack propôs à sua Mãe voltar ao “quarto” (como chamava o cativeiro) e, apesar de insegura, se dispôs  (a alto custo emocional) a acompanhá-lo. Ao rever o cativeiro praticamente vazio de móveis, mas repleto de lembranças, Jack despediu-se dos poucos objetos “tchau cadeira 1, tchau cadeira 2, tchau pia, tchau armário” e pediu “Mãe, diga tchau e vamos embora”, e ela o fez. Mal sabia Jack, uma pessoinha de 5 anos,  ter acabado de aplicar a mais eficiente intuitiva terapia curativa. As vezes é fundamental revisitar o passado, perdoar ou perdoar-se para que se possa REIVENTAR-SE! Ele, na sua sabedoria intuitiva  a salvou pela 4ª vez.

Aliás, um salvou ao outro da solidão, do frio, do medo, do abismo da desesperança. Ao olhar para Jack sua mãe só via a imagem de tudo o que havia deixado pra trás e do que precisava viver adiante. Ao olhar para Jack sentia-se forte na fortaleza daquele menino, sentia-se Mãe, a Mãe de Jack, a partir disso poderia ser tudo mais que ousasse ser.

Ao olhar para a sua Mãe, Jack sonhava com o futuro, dava passos mais firmes, descobria o mundo, encantava-se, socializava-se, permitia-se, acreditava-se.

Mãe e filho passaram a explorar novos caminhos, experimentando a vida e seus mais doces e diferentes sabores. Pessoas reais num mundo real onde é permitido sonhar e realizar sonhos, por mais inalcançáveis que possam parecer.

Salvaram-se dois seres, um ao outro, de todas as formas que precisavam ser salvos!

“O quarto de Jack”, uma obra prima.

 

 

 

 

 

 

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